Eu ia escrever sobre algumas coisas, a chatice dos emos, epifanias filosóficas descobertas ao abrir um pacote de biscoitos, mas não me sinto muito bom de conversa. O grande problema de escrever qualquer coisa – seja uma carta para alguém, um conto, ou uma lista de coisas para fazer – é o assunto. Por mais que a gente utilize técnicas de escrita automática ou que perfure o nosso inconsciente com uma furadeira Black & Decker em busca de qualquer migalha interessante, a primeira linha sempre dá aquele frio na espinha, acompanhado de uma vontade infantil de se esconder por debaixo da carteira do colégio. Infelizmente, não fazem mais carteiras de colégio grandes o suficiente para me esconder debaixo delas. No entanto, a gente sempre continua batendo teclas com aquela elegância forçada do Mister Magoo, naquele episódio onde ele confunde um piano com uma máquina de escrever. Algumas pessoas têm seus rituais ou supertições, eu, por exemplo, costumava fazer alongamento nos dedos, mas nunca resolvia a cãimbra mental que vem com a segunda página. Pensando bem… nada resolve. Talvez se afastar um pouco, tomar uma coca, devorar um pacote de Ana Maria sabor baunilha, sentir-se culpado, e continuar a escrever. Ou jogar pingue pongue com um amigo invisível que sempre perde e ainda te deixa comer as Ana Marias em paz.
bem legal! aham, comer ajuda