A Vida é…
25 Maio, 2008
Acordar dentro de uma cabine à prova de som, vestindo uma camiseta pólo e um headphone que o deixa tonto. Você não consegue enxergar nada por causa das luzes dos holofotes, uma forte urgência de vômito o domina. Do lado de fora, centenas de donas de casas histéricas gritam o nome do Deus Pagão de Peruca, enquanto seu fiel sacristão corre de um lado para outro, rindo dos insultos do chefe de sorriso reluzente. Você não consegue escutar as velhas piadas de sempre, a eterna rotina escrita por roteiristas jogados num porão com criaturas infernais. O Deus Pagão domina completamente o seu ofício, aquele é o seu altar, e as risadas de suas fãs sua religião. Sem se dar conta, um súbito desejo de responder perguntas não ouvidas toma conta do seu corpo suado. “Sim!!!”, “Não!!”, você grita, sem noção do que esteja acontecendo. Iates, casas de praias, liquidificadores com 5.00 rotações, baús lotados de pererecas de plástico, ioiôs que piscam, tesouros perdidos e quinquilharias imbecis: tudo lhe é oferecido. E você, isolado na sua cabine fedorenta, aceita as fraldas com estampa do frajola e recusa o aparelho de som importado. O público delira com a sua desgraça. As mamães vão voltar para as suas caravanas com uma história para contar. As luzes se apagam, o cenário é trocado e o Deus pagão vai para o seu camarim, enquanto você continua no seu cubículo, definhando lentamente, gritando respostas para perguntas nunca ouvidas.
me senti em uma dessas cabines.
não sei se gritando as respostas para as perguntas ainda não feitas ou se perguntando coisas ainda sem respostas (ou ao menos, ‘respondedores’).
adorei o escrito.
E tudo acaba naquele tétrico mantra que só repete que é “hora de sorrir e cantar”!!!
Beleza de texto!!!