O gato passeia pela casa todo dono de si, perambulando pelos livros comprados em sebos e pelos vinis roubados de antigas namoradas. E ele nem se importa com as minhas antigas indiscrições, superior pois não se importa. Burroughs estava certo, o velho bastardo.

Enquanto o meu camarada marca seu território, eu me dou conta de que tudo nessa casa é de segunda mão. O sofá foi achado na rua junto com um poster de um filme da Carmen Miranda. O sofá veio, o poster ainda deve estar no mesmo lugar esperando alguém com mais senso de estilo do que eu. As fotos da parede foram tiradas por uma ex, eu nem sei quem são os modelos. Nunca perguntei. O tapete foi presente de um tio, “tapete persa, legítimo”, dizia ele. Prefiro acreditar nele e não no selo “made in taiwan”. Gosto de ser otimista, às vezes.

Agora o gato se enrola nas minhas pernas e me pergunto de quem é esse gato.