Running Up That Hill
14 Julho, 2008
Sumiço
25 Junho, 2008
Por onde estará o dono do Polpa? Caçando tigres africanos com o seu guia neozelandês? Em Belize, como gerente de uma boate, onde apenas são permitidos turistas japoneses? Dançando o Foxtrott? Num cinema bem perto de você? Ou viajando pelos quatro cantos do mundo, de graça, dentro de um contêiner, ele e 150 latas de atum? Caso você, caro leitor, acerte uma das alternativas, ganha um pacote inteiro de caramelos.
Planos
1 Junho, 2008
Planos para os próximos 28 anos:
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Ler Moby Dick.
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Comprar um Atari.
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Acabar de ver Persona, do Bergman, sem dormir.
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Aprender a jogar iô-iô.
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Fazer um moicano.
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Nunca mais fazer um permanente.
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Voltar a escrever cartas para Sven, meu pen pal finlandês.
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Passar um dia inteiro preenchendo um caderno de colorir.
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Ler mais Fernando Pessoa.
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Usar chapéu panamá.
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Aprender francês.
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Descobrir o que é um Ossobuco.
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Fazer uma tatuagem do Gregor Samsa no braço.
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Conhecer a Amy Hempel.
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Escrever cartões postais para estranhos.
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Voltar a andar de patins.
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Queimar textos antigos da faculdade.
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Chorar assistindo aos Trapalhões.
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Ganhar dinheiro escrevendo.
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Dormir vestido de smoking.
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Entrar num curso de mímica.
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Responder um desses “como vai você” sinceramente.
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Jogar a tevê fora e comprar um aquário.
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Aprender a dançar o break.
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Ler mais ficção científica.
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Convidar os amigos para um café da manhã com milk shake e batatas fritas.
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Fazer tudo isso e não ficar satisfeito.
A Vida é…
25 Maio, 2008
Acordar dentro de uma cabine à prova de som, vestindo uma camiseta pólo e um headphone que o deixa tonto. Você não consegue enxergar nada por causa das luzes dos holofotes, uma forte urgência de vômito o domina. Do lado de fora, centenas de donas de casas histéricas gritam o nome do Deus Pagão de Peruca, enquanto seu fiel sacristão corre de um lado para outro, rindo dos insultos do chefe de sorriso reluzente. Você não consegue escutar as velhas piadas de sempre, a eterna rotina escrita por roteiristas jogados num porão com criaturas infernais. O Deus Pagão domina completamente o seu ofício, aquele é o seu altar, e as risadas de suas fãs sua religião. Sem se dar conta, um súbito desejo de responder perguntas não ouvidas toma conta do seu corpo suado. “Sim!!!”, “Não!!”, você grita, sem noção do que esteja acontecendo. Iates, casas de praias, liquidificadores com 5.00 rotações, baús lotados de pererecas de plástico, ioiôs que piscam, tesouros perdidos e quinquilharias imbecis: tudo lhe é oferecido. E você, isolado na sua cabine fedorenta, aceita as fraldas com estampa do frajola e recusa o aparelho de som importado. O público delira com a sua desgraça. As mamães vão voltar para as suas caravanas com uma história para contar. As luzes se apagam, o cenário é trocado e o Deus pagão vai para o seu camarim, enquanto você continua no seu cubículo, definhando lentamente, gritando respostas para perguntas nunca ouvidas.
Every Time We Say Goodbye
24 Maio, 2008
Percervejo
23 Maio, 2008
Não sou um leitor voraz, prefiro os quadrinhos e bulas de remédios. Não vou aos museus, prefiro as pinturas de palhaços tristes e capas de cadernos de caligrafia. Não gosto de pessoas, prefiro os percevejos. Por isso não faço nada que valha a pena, apenas desenho corações no i da sua indiferença.
Cartoon
16 Maio, 2008
Tudo o que eu sei sobre o amor aprendi com os desenhos animados. Não sei nada sobre romance. Nunca entendi certas figuras de linguagem. Desconheço o olhar efêmero que pode arruinar uma vida. Nunca me simpatizei com as mocinhas românticas ou com os anti-heróis desiludidos. Lágrimas de amor sempre me pareceram de crocodilo. E nunca me encantei com um joelho desnudo. No entanto, sempre que te vejo, surge nessa minha cabeça de menino perdido a imagem de um homenzinho serrando uma árvore gritando “Madeiraaaaaaa!!!”.
Caramelos
6 Maio, 2008
Ele colocou uma porção de caramelos na boca. Ela roubou caramelos do restaurante onde trabalhava. Ele sempre tinha caramelos nas suas calças jeans. Ela jogava caramelos na bolsa. Ele os compartilhava com os amigos. Ela os guardava para si.
Eles nunca se cruzaram. Nunca trocaram um olhar descuidado na rua. Nunca fizeram parte da mesma lista de correntes de e-mails. Nunca tiveram um amigo de orkut em comum. Nem pertenciam à mesma geração. Ele tinha idade para ser o tio legal. Ela não tinha vocação para ser sobrinha. Ela queria ser poeta. Ele queria deixar de ser. E eles nunca se amaram, e nem mais ninguém. Apenas os caramelos.
Tom Lehrer - Masochism tango
4 Maio, 2008
Cartas do Tio Ataulfo.
23 Abril, 2008
Notícias do Front.
Querida Leonora, escrevo-lhe esta missiva no pouco tempo que me resta. Entre tiros de canhões e saraivadas de balas de espingardas, eu passo todo o tempo disponível lendo as cartas da minha Tia Nonoca e seus relatos sobre o bico de papagaio do Tio Aristeu (parece que ele agora vive entrevado na cama, o que dificulta o seu ofício de caixeiro-viajante). Contudo, felizmente, consegui um certo refúgio para responder a sua adorada carta, um bálsamo nessa jornada sangrenta, porém, tediosa. Fico muito feliz que você tenha voltado a ministrar suas aulas de piano. Imagino o quão difícil deve ser lecionar com dois ganchos no lugar das mãos (você sabe o quanto lamento pelo acidente em Friburgo. Maldito teleférico!). Você sempre foi um exemplo de determinação e graça perante as intempéries da vida - como a padroeira da nossa cidade, Santa Hemergunina, aquela que morreu pelos pombos.
Não quero ater-me aos detalhes pecaminosos da minha estada nessa trincheira, já basta as lembranças que levarei comigo e o baço do finado Soldado Zacarias (que me fez prometer entregá-lo, em mãos, para sua prometida). Apenas conto-lhe que as condições estão piorando, os mantimentos estão acabando e o reservatório de água também - o que nos obriga a tomar banho com todo estoque de perfume francês do Cabo Louis - além disso, o rádio só sintoniza em estações da Finlândia. A rotina nesse canto esquecido pelos deuses está um tédio, mas pelo menos aprendemos a dançar o tango finlandês.
Com abraços afetuosos do seu estimado amigo.
Ataulfo Atenor.